20 Agosto, Domingo, 2017
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historia

 

No ano de 1958, Araraquara era um município pequeno. Com pouco mais de 62 mil habitantes, estava circunscrita territorialmente aos bairros da Vila Xavier, do Quitandinha, São Geraldo, Jardim Primavera e Fonte Luminosa. O transporte urbano individual era então realizado por charretes, veículos próprios e a pé, enquanto o coletivo contava apenas com alguns ônibus a diesel - em péssimas condições. 

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A administração municipal passou a defender uma saída inovadora para a modernização do setor: um sistema de transportes públicos com ônibus elétricos.   A idéia foi iniciativa do então prefeito Romulo Lupo e baseou-se em um sistema implantado nas cidades de Vicenza e Piacenza, na Itália.

A prefeitura ganhou a parceria de um grupo de empresários na defesa do projeto. O argumento principal era a eficácia do seu sistema, em decorrência da praticidade em atender à população e suas características modernas, além da possibilidade de proporcionar tarifas baratas aos passageiros.

Para a viabilização financeira do sistema, foi necessário o envio à Câmara Municipal de um projeto de aumento no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). O dinheiro arrecadado seria investido exclusivamente na instalação dos tróleibus. A proposta causou discordância entre os vereadores e gerou intensos debates sobre qual combustível deveria ser usado no transporte público municipal: diesel ou elétrico.

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Entre os críticos à proposta, havia aqueles que consideravam os tróleibus “modernos demais” para a estrutura de uma cidade do porte de Araraquara. Menos conservadores, outros araraquarenses destacavam o alto custo do sistema. A aprovação na Câmara Municipal ocorreu após um longo processo de discussões.

A ação seguinte do poder municipal foi aprovar a concessão dos serviços de transportes públicos da cidade à Companhia Araraquarense, que deveria ser criada no modelo de sociedade anônima. A Lei nº 713, de 4 de dezembro de 1958, definiu a vigência do contrato em 50 anos e delegou à empresa toda a responsabilidade de organizar e explorar o transporte urbano, instalar os serviços e realizar os reparos e conservação da frota.

A Companhia Tróleibus Araraquara foi instituída oficialmente no dia 31 de agosto do ano de 1959. A reunião foi realizada na sede da Associação Comercial de Araraquara, localizada na rua São Bento, 827, com a presença dos 37 primeiros acionistas da empresa, mais os representantes da prefeitura.

A CTA deu o pontapé oficial de suas operações no dia 27 de dezembro de 1959, com a seguinte estrutura: sete veículos da marca Grassi/Villares, modelo exclusivo e fabricado no Brasil, uma rede com 18 quilômetros de rede bifilar (instalação elétrica aérea com dois cabos de fios paralelos), oficina de manutenção e uma subestação retificadora de corrente elétrica. Vila Xavier-Carmo e Estação-Fonte foram as duas primeiras linhas.

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A viagem de inauguração do tróleibus foi acompanhada de uma grande festa na cidade e a população carinhosamente apelidou o ônibus nº 1 de “Bonitão”. A administração realizou a reforma de todo o trajeto, com o recapeamento do asfalto, para garantir o bom funcionamento do sistema.

A chegada do sistema de tróleibus colocou Araraquara entre as cidades mais inovadoras do interior paulista na área de transportes. Exemplo pitoresco é o fato de que o primeiro tróleibus da cidade de Recife, capital pernambucana, foi chamado de “ônibus tipo Araraquara”.

 

 ANOS 60

Evolução da frota

Durante os anos 60, a companhia araraquense ampliou sua frota com a compra de novos veículos das marcas Grassi/Villares, Massari/ Villares e Caio/FNM/Ansaldo. Também foi comprado um modelo mais longo de ônibus, com 12 metros de extensão e capacidade para mais passageiros, construído pela empresa nacional Grassi/Villares.

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Ao final da década, os números da CTA totalizavam 29,1 quilômetros de rede bifilar instalada, uma subestação e 14 carros disponíveis. A preocupação da companhia em investir cada vez mais no transporte público teve como resultado a melhora da locomoção e o acesso mais rápido entre os bairros, além de promover a satisfação da população em ter a cidade como modelo no sistema de transporte.

 

ANOS 70

Oportunidade e ampliação

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A década de 70 foi o período mais expressivo nos investimentos e na ampliação da CTA. Cidades como Porto Alegre (RS), Campos (RJ), Salvador (BA) e Fortaleza (CE) decidiram desativar suas frotas de tróleibus e a companhia araraquense pôde adquirir equipamentos e veículos a preços menores.

Em 1973, a fabricante Villares decidiu interromper a produção de ônibus elétricos e ofereceu à CTA seus motores, chassis, eixos e equipamentos. A administração da companhia não deixou escapar a oportunidade e, graças às aquisições, iniciou a fabricação de seus próprios tróleibus. Os carros ganharam os números 21, 22, e 23 na frota municipal.

Em 1977, também foram encomendados cinco tróleibus Caio/Massari/Villares. Eles representavam a nova geração de veículos elétricos produzidos pela indústria brasileira, depois de uma lacuna de sete anos sem produção. A compra fez com que a CTA chegasse ao final dos anos 70 com 28 unidades em operação. Além disso, foram construídas mais duas subestações (Vila Xavier e São José) e a cidade passou a contar com 60,9 quilômetros de rede bifilar instalada.

 

ANOS 80

Mudanças

A Companhia Tróleibus Araraquara passou por mudanças estruturais nos anos que se seguiram. Na primeira metade da década de 80, por exemplo, o Programa de Revitalização dos Sistemas de Tróleibus no Brasil, coordenado pela EBTU (Empresa Brasileira de Transportes Urbanos) ofereceu à cidade recursos financeiros para ampliar seu sistema de transporte público.

Com a ajuda federal, em 1983, a Companhia atingiu o total de 79,1 quilômetros de rede bifilar instalada. Mais seis subestações foram inauguradas, oito linhas novas começaram a funcionar e a frota alcançou um total de 39 carros. O crescimento, entretanto, não correspondeu à demanda.

O aumento populacional e outras questões políticas e financeiras trariam dificuldades à garantia da qualidade dos serviços. Em 1985, começaram a surgir dificuldades na manutenção e na ampliação da rede. Tornava-se particularmente difícil atender a população de novos bairros, como o Selmi-Dei, onde as ruas não eram asfaltadas e a instalação dos tróleibus teria custo elevado.

O Ministério de Energia retirou o subsídio dado às companhias de tróleibus, de aproximadamente 20%. A elevação do custo da energia dificultou a vida financeira dos municípios que mantinham esse sistema de transporte. Além disso, as fabricantes brasileiras diminuíram drasticamente a produção de tróleibus, encarecendo a manutenção dos carros e a reposição de peças novas, feitas por encomenda.

Emdecorrência dessa situação, teve início a inclusão de ônibus a diesel no sistema da cidade. Também foi realizado, por meio de licitação, aentrada deempresas particulares na rede municipal de transportes. Elas passaram a trabalhar sob a fiscalização da CTA, possibilitando o aumento da cobertura do transporte coletivo.

ANOS 90

Nova Fase

Em 1992, a frota de tróleibus da CTA atingiu seu número máximo: 46 veículos. A partir de então, a empresa passou a investir na compra de ônibus movidos a diesel. As dificuldades surgidas na década de 80 permaneciam e invabilizavam a realização de mais investimentos.

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A transformação do modelo de transportes se intensificou e a rede bifilar foi reduzida. A flexibilidade proporcionada pelos veículos a diesel permitiu à Companhia criar novas linhas, além de racionalizar o sistema. Os tróleibus funcionaram até 1999, com 27 carros operando em três linhas. Em 2000, houve uma tentativa de utilizar uma das linhas como atração turística, mas ela foi desativada em novembro do mesmo ano.

Desde a primeira viagem até os dias de hoje, a CTA tem a preocupação constante de oferecer à população de Araraquara qualidade e eficiência no transporte público. E trabalha para implantar um novo ciclo de excelência que promova o bem-estar de todos os moradores da cidade.

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